sexta-feira, setembro 18, 2015

ELE

A primeira vez que ouvi falar “dele” já não me lembro com exactidão, apenas sei que ainda era uma criança. Meus pais viviam falando “dele” em suas histórias, a mim e aos meus irmãos. Sempre que fosse a escola, meus professores diziam-nos - alunos - que tínhamos que ter “ele”. Aos domingos na missa, lá estava o padre a falar “dele” repetidamente. Meu irmão mais velho já era casado, e vivia em nossa casa com sua mulher, confesso que era um estresse para mim ouvi-los falar “dele” um com o outro como se fosse nome. Por causa "dele", a minha família alargada passava os fins-de-semana em casa dos meus avôs - já era uma tradição familiar. E eu, todos os dias fazia questão de me lembrar "dele" e usa-lo como os meus parentes, o padre, os meus professores e mais pessoas que me rodeavam usavam.

De repente as coisas mudaram, e minha (nossa) vida deu uma revira volta tremenda. Minha mãe foi presa, e na última visita que fiz a ela na cadeia, encontrei o padre lá da igreja, também estava preso. Meu irmão mais velho deixou a sua mulher. Os almoços lá em casa dos avôs terminaram, e a família podia passar semanas, meses, anos sem se ver.

Comigo, ficou a solidão, o pensamento e as questões: Será que minha mãe tomou a atitude certa, - matar o meu pai - por descobrir que meu pai a traia com minha tia? Será que meu irmão foi certo ao deixar sua mulher, porquê não suportaria viver com uma paralítica? - vítima de um acidente que ele mesmo causou. Será que o padre lá da igreja agiu bem, quando usufruía as escondidas do dinheiro da igreja? Porquê que minha tia aceitou ter um romance secreto com meu pai? Porquê que a morte do meu pai separou uma família por completa? Porquê?! Cadê o “ele”?! Transportava muitas questões dentro de mim, e tinha decidido não me doar mais com medo de saborear mágoas outra vez. Pois em mente, sabia que tudo girava em torno “dele”, quer bem ou mal.

Tempo foi tempo veio e, meus olhos se abriram. Num instante a nitidez estava bem em frente de mim. Permitiu-me assim poder enxergar além, muito mais além do que meus parentes e próximos puderam enxergar. E vi que podia sim me entregar a “ele”. E com certas condições me entreguei: Conhecer "ele" em verdade - porque as vezes confundimos "ele" com emoção, ardor e/ou atracção; Domesticar "ele" e não deixar "ele"  auto se controlar - porque quando "ele" toma conta de si mesmo, tende a se deformar devido o seu lado selvagem; Viver "ele" além das minhas palavras, gestos e/ou aparência - pois ele é muito mais do que tudo isso; E por fim, criar bases sólidas, para que quando ventos fortes viessem, não derrubassem “ele” - o “amor”!

sábado, setembro 12, 2015

TUDO O QUE EU QUERO...


Tudo o que eu quero é um "oi", ou um olhar, um "sei lá"... algo que me faça sentir-se importante, mesmo que não seja uma verdade. Mesmo que eu não tenha atitude diante da vida, não me importa! Tudo o que eu quero é "ser" e o resto a gente depois vê.

Tudo o que quero é um abraço, um aperto, um amaço, um arranhão ou pelo menos um tacto. Nem que tudo isso venha cheio de sangue e dor, "que assim seja", só quero sentir que alguém me sentiu mesmo que na realidade ele nem me viu.

Tudo o que eu quero é sair dessa minha esfera e, tentar superar está dor que virou meu "modo de viver". Ser livre dessa prisão formada por quatro paredes onde não consigo distinguir a noite do dia.  Tudo o que eu quero é um pouco de atenção.

sexta-feira, setembro 04, 2015

ALÉM DA ILUSÃO

Um alvo mirado
Um olhar de paixão
Um discurso ladrão

Um toque calculado
Um beijo roubado
Um rendido coração

Um ânimo aterrado
Um final assombrado
Um fardo na mão

E a mesma se repete
Cuidado!
Observa sempre além da ilusão…